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Ensino de Biologia • formação docente

Investigar não é largar o aluno sozinho

Aprendizagem por investigação não significa escolher entre uma aula expositiva e deixar os estudantes resolverem tudo sozinhos. Uma revisão sistemática publicada em julho de 2026 reuniu 17 estudos sobre essa abordagem na formação inicial de professores de Biologia e Ciências.

Uma revisão sistemática publicada em julho de 2026 reuniu 17 estudos empíricos sobre aprendizagem baseada em investigação na formação inicial de professores de Biologia e Ciências. O interesse dos autores não era apenas saber se a abordagem “funciona”, mas quais aprendizagens aparecem e como o grau de orientação muda os resultados.

O que apareceu nos estudos

No conjunto das pesquisas, a aprendizagem por investigação foi associada a resultados positivos em habilidades de processo científico, competência para pesquisa, compreensão conceitual, letramento ambiental e autoeficácia para ensinar.

Nos estudos com comparação direta, apareceram vantagens especialmente em habilidades de investigação, análise crítica, criatividade, participação ativa e desempenho acadêmico. Isso não transforma toda aula investigativa em uma aula automaticamente melhor. A revisão também chama atenção para diferenças de implementação e contexto.

Investigação guiada e investigação aberta não são a mesma coisa

Uma parte que achei especialmente útil foi a comparação entre graus de autonomia. A investigação guiada — quando há problema, estrutura e apoio do professor — apresentou resultados mais consistentes em competências fundamentais. Já propostas mais abertas mostraram potencial maior para raciocínio autônomo e habilidades de ordem superior quando havia condições adequadas.

Ou seja: dar orientação não “estraga” a investigação. Dependendo do objetivo e da experiência da turma, o apoio pode ser justamente o que permite que o estudante aprenda a investigar.

Um cuidado importante: participar de uma atividade investigativa como estudante não significa, por si só, saber planejar e conduzir investigação quando se torna professor. A revisão destaca a necessidade de preparação pedagógica explícita na formação docente.

Por que isso me interessa na Licenciatura

Na prática, o ponto não é trocar explicação por investigação em todas as aulas. É decidir o que vale a pena deixar o estudante observar, comparar, levantar hipótese, interpretar ou argumentar — e quanto de apoio ele precisa para conseguir fazer isso de verdade.

Essa diferença parece pequena, mas muda bastante o planejamento. Uma atividade pode ter aparência de “metodologia ativa” e ainda exigir muito pouco raciocínio; outra pode ser simples, com poucos recursos, mas colocar o estudante diante de evidências que ele precisa organizar para construir uma explicação.

Referência
Kopbayeva, M.; Uspabayeva, A.; Atici, T. (2026). The effect of inquiry-based learning compared with traditional instruction on the learning outcomes of pre-service biology teachers: a systematic review. Frontiers in Education, 11. DOI: 10.3389/feduc.2026.1854373.

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