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Fisiologia • saúde cardiovascular

Como alguém jovem pode ter um infarto?

“Jovem demais para ter infarto” é uma frase perigosa porque mistura probabilidade com impossibilidade. O infarto é menos comum em jovens, mas pode acontecer por mecanismos diferentes — e nem todos dependem de décadas de aterosclerose.

Infarto é lesão do músculo cardíaco por falta de fluxo — mas o caminho varia

O mecanismo clássico é a ruptura ou erosão de uma placa aterosclerótica, seguida por trombo e obstrução de uma coronária. Em adultos jovens, esse mecanismo continua existindo, especialmente quando há tabagismo, dislipidemia, hipertensão, diabetes, obesidade ou forte histórico familiar.

Existe infarto sem o “perfil clássico”

Revisões recentes chamam atenção para causas não aterotrombóticas em pessoas jovens: dissecção espontânea de artéria coronária (SCAD), vasoespasmo, estados de hipercoagulabilidade, vasculites e lesão associada a drogas estimulantes. A SCAD, por exemplo, é uma causa importante de síndrome coronariana aguda em mulheres mais jovens com poucos fatores de risco tradicionais.

Estar em boa forma reduz risco — não cria imunidade

Exercício regular é protetor em nível populacional, mas não apaga predisposição genética, anomalias vasculares, inflamação, uso de substâncias ou doença coronariana não diagnosticada. Aparência “saudável” também não é exame cardiológico.

Sintomas compatíveis com infarto ou síndrome coronariana aguda exigem atendimento de emergência. Conteúdo educativo não deve ser usado para decidir se vale procurar atendimento.

Referências e fontes

  1. Tudurachi et al. (2025). Myocardial Infarction in Young Adults: A Case Series and Comprehensive Review of Molecular and Clinical Mechanisms. DOI: 10.3390/biom15081065.
  2. Pender et al. (2025). Spontaneous Coronary Artery Dissection: A Narrative Review of Epidemiology and Public Health Implications. DOI: 10.3390/medicina61040650.
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