
Carros na areia e caranguejos-fantasma
Um estudo com Ocypode quadrata registrou animais mortos por esmagamento e analisou os pontos em que a mortalidade aparecia. Marcas de pneus próximas aos registros foram uma das variáveis associadas ao padrão observado. O trabalho também ajuda a lembrar que uma praia pouco urbanizada pode continuar vulnerável ao tráfego quando mantém uma população maior de fauna residente.
Costa et al., 2020, Journal of Environmental Management. DOI: 10.1016/j.jenvman.2020.110168.

Caranguejos-fantasma como bioindicadores
Uma análise global comparou dados de 78 praias e encontrou tocas menores nas áreas mais perturbadas. Em parte da amostra, a condição corporal dos animais também foi menor. Isso não transforma a toca em um termômetro automático da saúde da praia. A resposta precisa ser interpretada junto com geomorfologia, intensidade de uso e outros estressores.
Costa et al., 2022, Hydrobiologia. DOI: 10.1007/s10750-022-04900-1.

Microplásticos e comportamento de caranguejos
Em um experimento com Scopimera globosa, a exposição a microplásticos de polietileno esteve associada a mudanças no comportamento de alimentação e enterramento. A escavação também redistribuiu partículas dentro do sedimento. O aumento de 27 vezes descrito no artigo ocorreu no sistema experimental, por isso não deve ser apresentado como medida universal de praias naturais.
Sun et al., 2025, Environmental Science & Technology. DOI: 10.1021/acs.est.5c01192.

Dunas, pisoteio e passarelas
Um estudo de caso acompanhou um sistema de dunas antes e depois da instalação de passarelas de madeira. Dois anos depois, os autores observaram recuperação da vegetação em diferentes habitats. O resultado mostra o potencial de concentrar o acesso, mas não significa que qualquer passarela produza o mesmo efeito em qualquer praia.
Prisco, Acosta e Stanisci, 2021, Journal of Coastal Conservation. DOI: 10.1007/s11852-021-00809-4.